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Desemprego e empreendedorismo não são para qualquer um

Nascemos, crescemos, ouvimos e somos condicionados, enquanto povo comum, a entender que só seremos alguém se tivermos um emprego com vínculo empregatício. Outro dia ouvi um pai decretar que determinado rapaz só teria seu consentimento para namorar sua filha se o sujeito tivesse um emprego com “carteira assinada”, a despeito da sua escolaridade, antecedentes diversos e intenções evidentes (ou não tão evidentes assim). Nas mais diversas esferas da práxis da economia, a carteirinha azul é levada em conta e pode fazer a diferença entre conseguir, ser e ter. E essa mentalidade – ou cultura – do vínculo empregatício está sedimentada no terreno semi-sólido da economia e da escola da administração moderna e apenas culmina e ratifica as relações de trabalho/produção essenciais para o funcionamento da nossa frágil e controversa sociedade contemporânea, especialmente dentro do círculo brasileiro. A nossa cadeia produtiva também ratifica esse sistema exatamente como ele se apresenta e nossas instituições, corporações e especialmente a ordem econômica mundial parecem ter dificuldades em administrar de forma realmente ética, humanizada, profissional e progressista as relações de trabalho.  Ser “empregado” é tão importante e tão definitivo no rumo da vida da maioria das pessoas que o desemprego ganhou status de “fantasma” e, com seus poderes sobrenaturais, pode ajudar a revelar muito da real capacidade ou tendência comportamental do indivíduo assombrado por ele. Por um lado, os que experimentam a assombração do desemprego se desesperam (ou se  acomodam na situação fantasmagórica ) e se tornam  pseudoprofissionais de caça-empregos. Domem em filas, distribuem centenas de currículos, participam de inúmeras entrevistas, enfim peregrinam a busca da chamada “recolocação” (parece que esse termo moderno foi apropriadamente criado para a situação em questão, afinal, o desempregado parece ser considerado um “Des-colocado”, um “Não-alocado” ou qualquer coisa assim. Por um outro lado, alguns começam a cogitar (muitas vezes quando não tiveram sucesso na sua empreitada inicial de “recolocação”) a ideia de se tornarem donos do seu próprio negócio, ou seja: que se abram as portas do Empreendedorismo. E agora? É a necessidade que faz o sapo pular ou o sapo tem a capacidade de pular e por isso pula, ao invés de ficar andando? As pessoas nascem empreendedoras ou se tornam empreendedoras? Muitas das pessoas que querem se afastar da casa mal-assombrada do desemprego para se aventurarem nas práticas empreendedoras de abertura de um negócio sequer praticavam o empreendedorismo enquanto estavam“empregadas”. Não estudavam, não se profissionalizavam, não cuidavam de sua função e tarefas como se o negócio fosse delas, não se importavam com o cliente da empresa na qual trabalhavam, não respeitavam o próprio empregador, aproveitavam todas as brechas e concessões que as leis trabalhistas lhe davam para não irem trabalhar (e às vezes, dissimulavam, mentiam ou forjavam para faltar o trabalho). Não sabiam trabalhar em equipe, roubavam o tempo do empregador, não gostavam de participar de treinamentos de aperfeiçoamentos. Reclamavam e, às vezes, amaldiçoavam o próprio emprego e sempre achavam que estavam ganhando pouco e trabalhando muito, mesmo tendo sabido de antemão o quanto iriam ganhar por seu labor, concordando previamente com isso. Como se pode esperar que pessoas que praticam uma ou mais dessas coisas se tornem grande empreendedores? É claro que nem todos os profissionais possuem tais comportamentos, mas eles são exceções. Talvez seja esse um dos motivos de termos uma taxa tão alta de encerramentos de atividades de empresas com menos de 2 anos de duração no nosso País.Começo da solução: antes de ser Empreendedor, aprenda a ser Apreendedor ( Estando empregado ou não). Talvez entenderá melhor o que realmente está envolvido em trabalhar para servir, ou invés de apenas querer ser servido.E se você tem uma dúvida, crítica ou sugestão, envie-as para altamirlopes@folharj.com.br

Nascemos, crescemos, ouvimos e somos condicionados, enquanto povo comum, a entender que só seremos alguém se tivermos um emprego com vínculo empregatício. Outro dia ouvi um pai decretar que determinado rapaz só teria seu consentimento para namorar sua filha se o sujeito tivesse um emprego com “carteira assinada”, a despeito da sua escolaridade, antecedentes diversos e intenções evidentes (ou não tão evidentes assim). Nas mais diversas esferas da práxis da economia, a carteirinha azul é levada em conta e pode fazer a diferença entre conseguir, ser e ter.

E essa mentalidade – ou cultura – do vínculo empregatício está sedimentada no terreno semi-sólido da economia e da escola da administração moderna e apenas culmina e ratifica as relações de trabalho/produção essenciais para o funcionamento da nossa frágil e controversa sociedade contemporânea, especialmente dentro do círculo brasileiro. A nossa cadeia produtiva também ratifica esse sistema exatamente como ele se apresenta e nossas instituições, corporações e especialmente a ordem econômica mundial parecem ter dificuldades em administrar de forma realmente ética, humanizada, profissional e progressista as relações de trabalho.

Ser “empregado” é tão importante e tão definitivo no rumo da vida da maioria das pessoas que o desemprego ganhou status de “fantasma” e, com seus poderes sobrenaturais, pode ajudar a revelar muito da real capacidade ou tendência comportamental do indivíduo assombrado por ele.

Por um lado, os que experimentam a assombração do desemprego se desesperam (ou se acomodam na situação fantasmagórica ) e se tornam pseudoprofissionais de caça-empregos. Domem em filas, distribuem centenas de currículos, participam de inúmeras entrevistas, enfim peregrinam a busca da chamada “recolocação” (parece que esse termo moderno foi apropriadamente criado para a situação em questão, afinal, o desempregado parece ser considerado um “Des-colocado”, um “Não-alocado” ou qualquer coisa assim.

Por um outro lado, alguns começam a cogitar (muitas vezes quando não tiveram sucesso na sua empreitada inicial de “recolocação”) a ideia de se tornarem donos do seu próprio negócio, ou seja: que se abram as portas do Empreendedorismo. E agora? É a necessidade que faz o sapo pular ou o sapo tem a capacidade de pular e por isso pula, ao invés de ficar andando? As pessoas nascem empreendedoras ou se tornam empreendedoras?

Muitas das pessoas que querem se afastar da casa mal-assombrada do desemprego para se aventurarem nas práticas empreendedoras de abertura de um negócio sequer praticavam o empreendedorismo enquanto estavam“empregadas”. Não estudavam, não se profissionalizavam, não cuidavam de sua função e tarefas como se o negócio fosse delas, não se importavam com o cliente da empresa na qual trabalhavam, não respeitavam o próprio empregador, aproveitavam todas as brechas e concessões que as leis trabalhistas lhe davam para não irem trabalhar (e às vezes, dissimulavam, mentiam ou forjavam para faltar o trabalho). Não sabiam trabalhar em equipe, roubavam o tempo do empregador, não gostavam de participar de treinamentos de aperfeiçoamentos. Reclamavam e, às vezes, amaldiçoavam o próprio emprego e sempre achavam que estavam ganhando pouco e trabalhando muito, mesmo tendo sabido de antemão o quanto iriam ganhar por seu labor, concordando previamente com isso. Como se pode esperar que pessoas que praticam uma ou mais dessas coisas se tornem grande empreendedores? É claro que nem todos os profissionais possuem tais comportamentos, mas eles são exceções.

Talvez seja esse um dos motivos de termos uma taxa tão alta de encerramentos de atividades de empresas com menos de 2 anos de duração no nosso País.
Começo da solução: antes de ser Empreendedor, aprenda a ser Apreendedor ( Estando empregado ou não). Talvez entenderá melhor o que realmente está envolvido em trabalhar para servir, ou invés de apenas querer ser servido.
E se você tem uma dúvida, crítica ou sugestão, envie-as para altamirlopes@folharj.com.br